Hoje é aniversário de Boa Viagem, o bairro todo metido a chique do Recife onde acontecem assaltos seguidos de morte a torto e a direito. São 300 anos de alegria e a comemoração chega em meio às polêmicas demolições de predinhos antigos que foram marcos da arquitetura moderna dos anos XX e à pedra filosofal do parque de concreto mei verde que, num lance suburbano de homenagear os seus, leva o nome da famosa “quem”, que é nada menos que a mãe do nosso presidente.
A prefeitura mandou fazer bolo confeitado e tocar orquestra de frevo, mas a festinha só começa às 18h e eu é que não vou fazer fila pra pegar a minha fatia, apesar de sempre querer ter provado o bolo dos aniversários de Recife e Olinda, mas nunca ter chegado a tempo. É que o medo de assalto é grande. E duvido que os vizinhos de BV (não os meus, que não moro aqui, ainda bem), senhores muito respeitáveis, prestigiem a festa. Quem vai se divertir a valer mesmo é o povo do Pina e faz muito bem. Eta povim sem graça, esse de BV, não vê graça em nada mesmo.
Mas também, vamos e convenhamos, como diz minha avó! Comemorar o que, cara pálida? Tudo bem que o nome do bloco até diz “Nóis sofre, mas nóis goza”, mas assim também já é demais. Vamo fingir que nada tá acontecendo, varrer a sujeira pra debaixo do tapete e festejar no quintal da mãe joana. Ou da mãe Lindu, que seja. Bem brasileirinho.