Festas juninas chegando, hora de tirar a mala véia e remendada de dentro do baú e seguir para visitar aquela parentada no Interior. Não importa se é Interior muito perto ou muito longe. Todo e qualquer suburbano com espírito de viajante vai querer ir, juntar os trocados, os meninos tudo, e seguir viagem rumo à casa de… “querida, como é mesmo o nome do primo do tio do avô da tua cunhada, hein?”
Enfim, não importa. Você vai e, sendo pobre ou menos pobre, vai de ônibus mesmo. A diferença é pouco mais de alguns reais. No do pobre, vai a sogra, papagaio, periquito, colchão, criança tossindo alto e fazendo guerra de comida e um mundaréu de gente se esbofeteando para pegar logo a condução. Vai entrar um monte de ambulante, o ônibus vai demorar a sair e vai ficar um odor forte de laranja cravo.
O pinga-pinga também vai parando em toda estação, por isso se prepare para dormir, acordar, acordar, dormir, ler e distrair-se com a conversa do vizinho, que pode ser desde um viajante solitário ávido por um segundo de atenção até um “irmão” querendo lhe converter. Nada contra os evangélicos, mas isso é chato demais. Por isso, torça e reze para ficar com a primeira opção.
No ônibus do menos pobre tem ar-condicionado e Tv passando os melhores momentos do Axé Bahia dos anos 90, mas não se empolgue muito, não. Nele também vai subir um monte de ambulante e é bem provável que o odor de laranja-cravo, fechado no ar, fique ainda mais forte. Pense positivo: melhor cheiro de fruta que de outros odores desagradáveis, certo? Por isso, torça também para ter uma boa companhia ao seu lado. Na dúvida, finja que dorme. O consolo é que a condução do menos pobre chega mais rápido.
Agora, se quiser privacidade mesmo, o negócio é excursão, gente. Da escola, dos colegas de trabalho, da igreja, da comunidade. Tipo trem do forró, só que no ônibus, sabe. Com direito a passadinha em Toritama, para renovar o guarda-roupa. Procure se informar no seu bairro. Com certeza, haverá pelo menos uma van do forró disponível no centro comercial mais perto de você.