Hoje é dia de São Jorge e, como não poderia deixar de ser, fica aqui a homenagem do Suburburinho. Afinal, ele é o mais querido, o mais popular. Eu fico pensando assim: os pescadores dedicam a fé a São Gonçalo. O Nordeste inteiro festeja junho com o trio Tonho, Pedrinho e João. O Rio comemora São Sebastião.No interior e em alguns bairros afastados, o Cosme e Damião (Corrmedamião) é esperado com alegria pelas crianças doidas por uma cárie… No Recife, a Senhora da Conceição, mais que a padroeira Do Carmo, move multidões, comércio, inverte trânsito, o escambau.
Mas nenhum outro é como São Jorge, o guerreador. Se o espírito não me foge – pra usar uma expressão de voinha –, já diz a letra da música: “Em toda casa brasileira tem um quadro de São Jorge”. E não só nas casas, mas nos barzinhos, mercearia, na lua, na chuva e na fazenda, lá está ele. É tão popular que está presente até no sincretismo religioso: é o Ogum do candomblé, aquele que abre caminhos. Com certeza a imagem está na sua mente, o verde e vermelho do herói ferrando o dragão.
Tudo bem que a imagem de São Jorge até é brega, mas eu adoro. Ela está lá no meu quarto, moldada numa caixinha de fósforos, encomenda especial que fiz à minha madrinha numa de suas viagens. Guerreia, São Jorge!

O culto a São Jorge possui enorme força popular mesmo. Aqui de casa dava para ouvir os fogos, que não pararam durante todo o dia, já às seis da matina. Vale tudo para agradar o santo!